Arquivo da categoria ‘Atividades Escola Raul Córdula (1° semestre de 2013)’

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O projeto intitulado “Os movimentos Sociais”, foi um trabalho de parceria entre o PIBID História da Universidade Estadual da Paraíba Campus I e a Escola Estadual Professor Raul Cordula. Após realização das aulas com o apoio da sequência didática com relação ao tema República Velha, o projeto se concretizou no dia 26 de agosto de 2013 durante a amostra pedagógica da escola, usando a temática de uma linha do tempo “viva” aberto a toda a comunidade escolar do bairro do Presidente Médice.

Confira as fotos.

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Aula de campo com as turmas do 2º ano do Ensino Médio da escola estadual Raul Córdula. A partir da aula de campo foi possível aprender sobre a história local através da visita de cidades históricas (Ingá, Rio Tinto ,Mamanguape e Baia da Traição) e de uma aldeia indígena da tripo potiguara.

Rei do Cangaço

Marinês e Sua Gente

Foi o cabra valente do sertão
afamado até no estrangeiro
não temia baiano mandigueiro
catimbó, cara feia, nem bisão
para um ele era justiceiro
para outro ele era feito cão
sua fama corria o mundo inteiro
Virgulino Ferreira Lampião

Juriti, Cobra Verde e Moita Braba
Volta Sêca, Dengoso e Azulão
Zé Baiano, Curisco e Pente fino
que brigava até por distração
tinha ainda o caboclo Zabelê
criador do xaxado no sertão
e Maria Bonita com bravura
conquistou o famoso Lampião

Foi o cabra valente do sertão
afamado até no estrangeiro
não temia baiano mandigueiro
catimbó, cara feia, nem bisão
para um ele era justiceiro
para outro ele era feito cão
sua fama corria o mundo inteiro
Virgulino Ferreira Lampião

A música discutida pela cantora Marinês retrata de maneira sucinta as caractéristicas do Cangaço, na típica região nordestina, onde pelo qual seu principal personagem Lampião era reconhecido no meio em que vivia, os paradoxos tratados entre ele e seus cangaceiros.

 

Xaxado

Luiz Gonzaga

Xaxado é dança macha
Dos cabra de Lampião
Xaxado, xaxado, xaxado
Vem lá do sertão

Xaxado, meu bem, xaxado
Xaxado vem do sertão
É dança dos cangaceiros
Dos cabras de Lampião

Quando eu entro no xaxado
Ai meu Deus
Eu num paro não
Xaxado é dança macha
Primo do baião.

 

Diante das discussões promovidas sobre o Cangaço, descobrimos que além de sanguinário, Lampião exercia grande influência na estética artistica nordestina, além da confecção das suas próprias roupas, o xaxado marcou as festas do Rei do Cangaço, então na magnifica música de Luiz Gonzaga, retrata a diversidade de cultura cangaceira por meio da dança.

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V  “MEMORIA DO CANGAÇO”

 

Partindo da série de documentários sobre o Cangaço, seguimos com as conclusões do quinto capítulo que se intitula Memória do Cangaço. Neste se encontra em sua maioria depoimentos de integrantes da própria história do Cangaço, entre eles Zé Rufino, Saracura, Angelo Roque e Dona Otilia. No depoimento do Coronel Zé Rufino ele diz ter matado cerca de vinte cangaceiros entre eles: Meia-noite, Catingueira, Sabonete, Azulão, Canjica, Zabelê, Mariano, Pai-Velho, Zé Piquim, Pavão, Barra Nova, e não disse os demais pois não lembrará. A primeira vez que viu Lampião foi em Pernambuco, onde Lampião convidou-o a entrar no bando, mas não aceitou. Outro fato é que foi o responsável por mandar cortar as cabeças dos cangaceiros que até hoje estão expostas no Museu Antropológico Estácio de Lima localizado no prédio do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues, em Salvador.

 

Já no depoimento de Saracura ele conta um pouco da sua história, diz que trabalhava com Angelo Roque que era do bando de Lampião. Que tinha entrado no cangaço por perseguição da polícia, pois a polícia desconfiava que seu pai era coiteiro, chegando até a arrancar a barba e as unhas de seu pai. Além disso, fala um pouco sobre a vida no cangaço, diz que comia carne seca assada com farinha e que dormia no chão só com uma coberta. Angelo Roque também fala de como entrou para o cangaço, entrou no cangaço por uma intriga com um soldado, por causa de sua irmã, o soldado queria a irmã de Roque, sendo que ele já tinha sido casado 4 vezes e sempre maltratava as mulheres com quem vivia, então Roque o matou.

 

No documentário também se remete as mulheres no cangaço, explana que Maria Bonita entrou no cangaço por vontade própria, largando seu marido para viver com Lampião. E a ela se atribui esses versos de Lampião: Também tive meus amores, cultivei minha paixão. Amei uma flor mimosa filha lá do meu Sertão. Sonhei de gozar a vida bem junto a prenda querida a quem dei meu coração. Já Dona Otilia (mulher de Mariano) fala que não teve opção, foi carregada pelos cangaceiros, com apenas 15 anos de idade.

E ao final o documentário discorre uma narração sobre os acontecimentos que levaram a morte de Lampião: As tropas da volante comandadas pelo capitão João Bezerra e pelo aspirante Ferreira de Melo do segundo batalhão de polícia de Alagoas buscavam exterminar os cangaceiros foi quando o sargento Aniceto Rodrigues dos Santos prendeu um coiteiro. Enquanto Lampião descansava no a beira do riacho do Ouro-fino escrevendo versos: Meu rifle atira cantando num compasso assustador. Faz gosto brigar comigo por ter rifle cantador. Enquanto meu rifle trabalha minha voz longe se espalha zombando ao toque do oror. Com a traição do coiteiro Lampião sofreria um ataque surpresa das volantes a comando de Bezerra, Ferreira de Melo e Aniceto. Quando pensei que podia, o caso estava sem jeito. Vou dar trabalho ao governo enfrentar agora de peito. E trocar balas sem receio, pois morrendo num tiroteiro seu que morro satisfeito. Madrugada de 27-28 de julho de 1938. Maria Bonita servia o café quando começou o tiroteio, Onorato da Silva foi o que acertou o tiro que matou Lampião.

 

 

 

 

 

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IV  “LAMPIÃO. DO HOMEM AO MITO”

 

     

Virgulino Ferreira da Silva, mais conhecido como Lampião, nasceu em 7 de julho de 1897 na pequena fazenda dos seus pais em Vila Bela, atual município de Serra Talhada, no estado de Pernambuco. Era o terceiro filho de uma família de oito irmãos.

     Lampião desde criança demonstrou-se excelente vaqueiro. Cuidava do gado bovino, trabalhava com artesanato de couro e conduzia tropas de burros para comercializar na região da caatinga, lugar muito quente, com poucas chuvas e vegetação rala e espinhosa, no alto sertão de Pernambuco (chama-se Sertão as regiões interiores e distantes do litoral, onde reinava a lei dos mais fortes, os ricos proprietários de terras, que detinham o poder econômico, político e policial).

     Em 1915, acusou um empregado do vizinho José Saturnino de roubar bodes de sua propriedade. Começou, então, uma rivalidade entre as duas famílias. Quatro anos depois, Virgulino e dois irmãos se tornaram bandidos. Matavam o gado do vizinho e assaltavam. Os irmãos Ferreira passaram a ser perseguidos pela polícia e fugiram da fazenda. A mãe de Virgulino morreu durante a fuga e, em seguida, num tiroteio, os policiais mataram seu pai. O jovem Virgulino jurou vingança.

     Lampião formou o seu bando a princípio com dois irmãos, primos e amigos, cujos integrantes variavam entre 30 e 100 membros, e passou a atacar fazendas e pequenas cidades em cinco estados do Brasil, quase sempre a pé e às vezes montados a cavalo durante 20 anos, de 1918 a 1938.

     Existem duas versões para o seu apelido. Dizem que, ao matar uma pessoa, o cano de seu rifle, em brasa, lembrava a luz de um lampião. Outros garantem que ele iluminou um ambiente com tiros para que um companheiro achasse um cigarro perdido no escuro.

     Comparado a Robin Hood, Lampião roubava comerciantes e fazendeiros, sempre distribuindo parte do dinheiro com os mais pobres. No entanto, seus atos de crueldade lhe valeram a alcunha de “Rei do Cangaço”. Para matar os inimigos, enfiava longos punhais entre a clavícula e o pescoço. Seu bando seqüestrava crianças, botava fogo nas fazendas, exterminava rebanhos de gado, estuprava coletivamente, torturava, marcava o rosto de mulheres com ferro quente. Antes de fuzilar um de seus próprios homens, obrigou-o a comer um quilo de sal. Assassinou um prisioneiro na frente da mulher, que implorava perdão. Lampião arrancou olhos, cortou orelhas e línguas, sem a menor piedade. Perseguido, viu três de seus irmãos morrerem em combate e foi ferido seis vezes.

     Grande estrategista militar, Lampião sempre saía vencedor nas lutas com a polícia, pois atacava sempre de surpresa e fugia para esconderijos no meio da caatinga, onde acampavam por vários dias até o próximo ataque. Apesar de perseguido, Lampião e seu bando foram convocados para combater a Coluna Prestes, marcha de militares rebelados. O governo se juntou ao cangaceiro em 1926, lhe forneceu fardas e fuzis automáticos.

     Em 1929, conheceu Maria Déa, a Maria Bonita, a linda mulher de um sapateiro chamado José Neném. Ela tinha 19 anos e se disse apaixonada pelo cangaceiro há muito tempo. Pediu para acompanhá-lo. Lampião concordou. Ela enrolou seu colchão e acenou um adeus para o incrédulo marido. Levou sete tiros e perdeu o olho direito.

     O governo baiano ofereceu 50 contos de réis pela captura de Lampião em 1930. Era dinheiro suficiente para comprar seis carros de luxo.

     Lampião morreu no dia 28 de julho de 1938, na Fazenda Angico, em Sergipe. Os trinta homens e cinco mulheres estavam começando a se levantar, quando foi vítima de uma emboscada de uma tropa de 48 policiais de Alagoas, comandada pelo tenente João Bezerra. O combate durou somente 10 minutos. Os policiais tinham a vantagem de quatro metralhadoras Hotkiss. Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros foram mortos e tiveram suas cabeças cortadas. Maria foi degolada viva. Os outros conseguiram escapar.

     O cangaço terminou em 1940, com a morte de Corisco, o “Diabo Loiro”, o último sobrevivente do grupo comandando por Lampião.

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III  “AS DUAS FACES DE LAMPIÃO”

Em sequência de analise da série documental sobre o assunto relacionado ao cangaço, o terceiro filme “as duas faces de lampião” sendo discutido pelo Professor Frederico Pernambucano de Melo. Então diante da imagem de um grupo de cangaceiros, vislumbramos a visão de pessoas onde a única ação promovida por eles era morte e o banditismo contra a injustiça política da época.

Porém a imagem do sanguinário líder do Cangaço – Lampião – que nos momentos vagos se tornava um bom costureiro, ou seja, além de inteligência gigantesca nas estratégias, tinha uma visão apurada dos costumes, ensinando a bordar e costurar aos seus próprios cangaceiros.

Diante dos combates, onde promovia a morte de seus inimigos, sobretudo com o uso de punhais, logo em seguida Lampião iria se divertir em festas, como se nada tivesse acontecido e posteriormente iria por em ação a confecção dos detalhes de couro, das roupas e dos adornos de metais.

Os utensílios dos cangaceiros, os detalhes coloridos em constante harmonia, eram assim formados a estética, a personalidade artística do cangaço através dos objetos. Contanto não se deve dizer que sempre as características estruturais da moda cangaceira foi sempre a mesma, como toda sociedade, os cangaceiros foram envolvidos no modismo, ou seja, sempre estiveram em constante mudança diante das vestimentas e artifícios artísticos.

Portanto, perante as discussões sobre o papel de Lampião, há de se construir um paradoxo neste, quando assimilamos a visão de um homem machista, bruto, e discutimos a visão “estilista” deste personagem real e principal do Cangaço, ou de um homem sussurrante e gentil para uma figura cafajeste de tempo integral.

Maria Bonita

Partindo do padrão sertanejo, a mulher cangaceira, sobretudo Maria Bonita, era uma mulher formosa e muito vaidosa, era a estrutura de uma mulher desejada por qualquer homem nordestino, com muito senso de humor e religiosa. Durante uma entrevista ao cinegrafista Benjamin Abraão, ela afirma que, diferente de outras mulheres que se dizia ter sido raptada para o bando, ela diz que fez a escolha de entrar no bando por espontânea vontade, pois admirava Lampião e era extremamente apaixonada por ele.

A mulher teve importante papel no Cangaço, sempre vaidosa, manteve um papel superior à mulher sertaneja, pois estas usavam um vestido acima do joelho, enquanto isso a mulher do vaqueiro na sociedade pastoril, usavam no tornozelo, causando a liberdade superior da mulher cangaceira diante das demais. Além disso elas não cozinhavam, apenas costuravam se quisessem, mas estavam presentes no cangaço para de aformosear e satisfazer seus homens.

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  II  “ENTRE HERÓIS E BANDIDOS”

 

            O filme nº II do documentário em questão narra a história do cangaço a partir da memória de Ilda Ribeiro de Sousa, conhecida como Sila (ex cangaçeira), natural de Poço Redondo no estado de Sergipe, nascida em 1924. Sila aderiu ao cangaço após ser cooptada a participar do grupo quando o cangaceiro Zé Sereno raptou-a de sua casa quando esta tinha 14 anos de idade, tomando-a como esposa.

            Sila participou do cangaço por dois anos, de 1936 a 1938, até o massacre de Angico, SE, no qual lampião, Maria Bonita e mais 10 cangaceiros morreram em uma emboscada enquanto dormiam. No documentário Sila se mostra bastante emocionada com suas lembranças de suas vivências no cangaço, visita o túmulo do cangaceiro Jararaca na cidade potiguar de Mossoró e exalta a valentia dos cangaceiros e afirma inclusive que estes estejam realizando “milagres” (“santificação” dos cangaceiros).

            Outra cidade visitada por Sila é a de Juazeiro do Norte , CE, onde discorre sobre a fé católica dos participantes do bando e a devoção de Lampião a Padre Cícero. Fala que era diária a prática das rezas e que muitos dos cangaceiros carregavam “patuás” com orações geralmente cedidas pelos familiares. Além da religiosidade cristã, existiam diversas manifestações simbólicas e místicas no interior do grupo de Virgulino, como por exemplo, a crença nas adivinhações por sonhos, a “intuição” feminina.

            Em Serra Talhada, PE, Sila fala sobre a vida de Lampião antes do cangaço e os motivos que o levou a entrar para o movimento. Ela descreve também a forma como ela foi raptada aos 14 anos e o choque de vivenciar a experiência de participar do grupo de Lampião, tendo que conviver de forma inesperada com tiroteios, mortes, perseguição, emboscada e um cotidiano de sobrevivência na natureza árida da caatinga. Ao visitar a sua cidade natal, Poço Redondo em Sergipe, Sila encontra com outra ex. cangaceira, Adília, com quem compartilha muitas lembranças do cangaço.

            Por ultimo ela visita a cidade de Angico, SE, onde parte do bando de Lampião foi morto, juntamente com Virgulino e sua mulher. Sila conta a maneira como aconteceu o episódio, a surpresa e violência do ataque e como ela e outros cangaceiros conseguiram fugir das saraivadas de bala.

            No desfecho do documentário ela fala sobre a felicidade em está viva para poder contar o que aconteceu, suas vivências e a forma como o seu relato pode servir para a posteridade e aos seus descendentes. Ilda Ribeiro de Sousa se casou oficialmente com José Ribeiro da Silva conhecido como Zé Sereno após a anistia concedida por Getúlio Vargas, Foram morar em São Paulo e tiveram três filhos.