Texto introdutório sobre o processo de imigração no Brasil (séculos XIX-XX)

Publicado: abril 8, 2013 em Atividades Escola Senador Argemiro de Figueiredo - Polivalente (1º semestre de 2013)

A Imigração Estrangeira no Brasil ao Longo dos Tempos
O que é imigrar? “Significa entrar em um país que não é o seu de origem para ali viver ou passar um período de sua vida como cidadão familiar nacionalista”.
O processo imigratório no Brasil teve início ainda no século XV, ( 1500), com a chegada dos portugueses e o suposto “descobrimento” do Brasil, mas foi a partir do século XVI ( 1532) que realmente o processo migratório aconteceu, pois era o início da Colonização do país e necessitava-se de mão-de-obra para trabalhar na lavoura da cana de açúcar. Deslocaram-se para o Brasil aproximadamente 100, 000 portugueses, composto de fazendeiros ou empresários falidos em Portugal, “criminosos” perseguidos pela igreja, judeus cristãos-novos, porém, a maioria dos colonos era de famílias ricas de Portugal que viam nas sesmarias ( terras doadas) uma saída para enriquecer rápido e voltar para sua terra. Na colonização de exploração inicial, não havia uma hegemonia sócio econômica entre os colonos, porém, havia um predomínio de 90% de famílias de classe alta nas zonas mais ricas da nova colônia, especialmente em Pernambuco e Bahia, e nas regiões periféricas como o Maranhão a esmagadora maioria dos portugueses pobres. No século XVI com o desenvolvimento da cana de açúcar faz crescer o número de escravos africanos, desembarcados na colônia, vindos especialmente de Angola e da Costa da Mina para o litoral do Nordeste brasileiro. O tráfico Negreiro foi uma atividade lucrativa e legal que pagava impostos, tanto para a coroa portuguesa, quanto para a igreja Católica ( o dízimo). O tráfico iniciou-se oficialmente em 1559, quando Portugal resolveu permitir o ingresso de escravos vindos da áfrica, no Brasil. Portugal não tinha população suficiente para enviar ao Brasil e os que vieram se concentrou nos litorais nordestinos e sudestinos, o resto do país segue ocupado apenas pelos índios. Até o fim do século XVII, desembarcaram em torno de 550 mil africanos e 50 mil portugueses. Nesse contexto de colonização, com o progresso do açúcar no Brasil, as divergências entre Portugal e Espanha, e o desejo de saber sobre a fabricação do produto, levaram os holandeses a invadir a colônia brasileira em 1624, de onde o fizeram em duas etapas. A primeira invasão foi na capitania da Bahia de onde foram expulsos um ano depois e voltando a Pernambuco em 1630, onde permaneceram “ ilegalmente”por 24 anos. A Holanda logo enviou à capitania dominada a Companhia das Índias, empresa instituída para avalizar a comercialização do açúcar brasileiro onde nesse contexto, se destacou o conde Maurício de Nassau enviado para consolidar o domínio holandês na colônia de onde só saíram em 1645, expulsos por várias batalhas apoiados por Portugal e Inglaterra. Após a saída dos holandeses, a exportação da cana de açúcar sofre grave crise, pois os holandeses levaram toda técnica de plantio, onde as instalaram nas Antilhas, de onde exportavam o produto em larga escala, deixando a economia portuguesa abalada na nova colônia brasileira. A partir do final de século XVIII, para o século XIX, a imigração no Brasil alcança cifras jamais vistas, os bandeirantes descobrem na região das Minas gerais, o Ouro tão buscado pelos portugueses, é a corrida do ouro ou período da mineração. Com a crise deixada pela queda na exportação do açúcar, a Metrópole portuguesa necessitava descobrir outra fonte de renda que o fizesse continuar enriquecendo em larga escala e essa fonte estava na região das Minas Gerais, descoberta que culminou na concentração de renda, de muitos europeus na época. Milhares de portugueses venderam tudo o que tinha para conseguir comprar uma vaga que partia para o Brasil. Nesse período vieram pessoas de todos os Status sociais portugueses miseráveis que viam na mineração uma oportunidade de mudar de vida, pessoas perseguidas pela justiça e pela Inquisição, mas também vieram fidalgos a procura de riqueza e aventura. Até 1630 Minas gerais tinha uma população não indígena quase inexistente. Dezesseis anos depois, a população de brancos, mestiços e negros, envolvidos na mineração, chegava a 30 mil pessoas. Só de Portugal, saía uma média de oito a dez mil pessoas por ano, em direção ao Brasil, chegando aproximadamente a 600 mil habitantes, no decorrer de sessenta anos. De apenas 300 mil habitantes, a colônia saltou para uma população de 3,6 milhões de pessoas em apenas 100 anos. Em 1808, como conseqüência da guerra com a França, a família Real portuguesa muda-se para a colônia brasileira e em um momento de curto espaço de tempo da população portuguesa no Brasil, chegaram ao Rio de Janeiro e Bahia aproximadamente, 15 mil novos moradores portugueses. A partir de 1818 séc. XIX, o processo de imigração se intensificou com a chegada de várias nacionalidades que vieram para cá, a partir da regência de D. João VI, devido ao enorme tamanho do território brasileiro e ao desenvolvimento das plantações de café que hora se iniciava. Em busca de oportunidades, vieram para o Brasil em 1819, os Suíços, ( se instalaram no Rio de Janeiro Nova Friburgo), os alemães, em 1824 e se instalaram no Rio Grande do Sul ( Novo Hamburgo, São Leopoldo, Santa Catarina, Blumenau, Joinvile e Brusque). Os eslavos, originários da Ucrânia e Polônia, habitando o Paraná, os turcos e os árabes se concentraram na Amazônia, os italianos de Gênova, Veneza, Calábria e Lombardia em sua maior parte vieram para são Paulo. Entre os séculos XIX e XX, cerca de 1,5 milhões de italianos aportaram no Brasil, cujo destino as fazendas de plantação de café, no interior de São Paulo, o recebimento de lotes de terras e fundação de colônias no Sul; construção de ferrovias e colônias agrícolas em outros estados. A emigração era a única saída, face ao desemprego e a miséria que vivia os italianos. Dentre essa população de imigrantes, estavam; artistas, engenheiros, arquitetos etc, porém a maioria era sem instrução nenhuma. Com a Lei de 1850, cessou a distribuição gratuita de lotes para os imigrantes, despertando interesse da iniciativa privada, isso fez com que, ao lado das colônias imperiais e provinciais, surgissem colônias particulares como de Conde d’Eu e dona Isabel na região onde hoje estão localizados os municípios de Garibaldi e Bento Gonçalves no Rio grande do Sul. Essa Lei foi dos estatutos responsáveis pela consolidação dos latifúndios no Brasil, com o fechamento das fronteiras agrícolas e exclusão ao acesso das terras dos brancos e mulatos pobres, dos negros e da maioria dos imigrantes europeus, assim a concentração das terras nas mãos de poucos, que se iniciara no período colonial, consolidou-se. No final do II império e início da Primeira República a sociedade brasileira fica mais diversificada. Além da elite dominante, representada pela burguesia rural e urbana, as classes médias aparecem com força no cenário político. Surge também um proletariado urbano influenciado pelas tradições políticas anarquistas e socialistas trazidas pelos imigrantes europeus. A nova classe social, a burguesia, é formada pelos representantes da lavoura cafeeira, tradicional e ex-escravovrata os do vale do Paraíba, pelos cafeicultores modernos, que empregam trabalhos assalariados, ( vale do Oeste S. Paulo),por banqueiros e grandes comerciantes ligados à exportação e à importação e pelos grandes e pequenos industriais. As classes médias urbanas incluem os imigrantes que se dedicam ao pequeno comércio e ao artesanato, os militares, os profissionais liberais, e os altos funcionários públicos. Do lado pobre está o proletariado, onde a grande maioria são ex-escravos, desempregados ou os que trabalham como biscateiros. Entre os anos de 1889 e 1928, entram no país 3.523,591 imigrantes.Mais de um terço são italianos, seguidos pelos portugueses, espanhóis, alemães e japoneses. A maior parte vai para lavoura de café, muitos, de origem urbana, abandona o campo e dedicam-se ao comércio ou à indústria como assalariados ou donos do seu próprios negócios. A ideologia Anarquista, trazida pelos imigrantes ao Brasil, predomina boa parte da primeira república e transita como movimento dos operários. A ideologia defendia se reunisse em forma de luta contra os patrões. Como resultado, no final de século XIX, surgem as primeiras Ligas Operárias que mais tarde transformam-se em sindicatos. Em 1890, é fundado o Partido operário e em 1902, o Partido socialista Brasileiro e o jornal operário Avanti. Em 1908, surge a primeira Confederação Operária. Entre 1908 a 1915, a Confederação operária edita o jornal, A Voz do Trabalhador e no dia 1º de maior de 1929, é fundada a Confederação geral dos Trabalhadores ( CGT).
No dia 1º de dezembro no estado de São Paulo, é comemorado o Dia do Imigrante. A data foi instituída pelo Decreto 30.128 de 14 de novembro, pelo então governador Jânio Quadros. Isso demonstra a contribuição dada por essa gente aos setores; rural, a indústria, o comercio, a culinária, festas, na formação da etnia e em todo processo cultural do povo brasileiro. Os imigrantes adotaram nosso Brasil, como sendo sua segunda pátria. Não interessa os motivos que o fizeram; fugindo de guerras, dificuldades econômicas, “fazer a vida” em nosso país etc. O que importa é que essa gente sofrida colaborou para que hoje fossemos o que somos que tenhamos essa miscigenação que só aos brasileiros é reservado o direito de o ser.

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