Cordel: Um Guerreiro, Uma Deusa, O Destino.

Publicado: dezembro 23, 2012 em PIBID HISTÓRIA UEPB

Cordel elaborado pelos alunos Diego de Oliveira Gomes, Amanda Beatriz, João Flor e Maxsuel Lima. Este trabalho foi fruto de uma intervenção pedagógica na Escola Estadual Senador Argemiro de Figueiredo.

 

Um Guerreiro,

Uma Deusa,

O Destino.

Sem título

 

Autores: Diego de Oliveira Gomes

Amanda Beatriz

João Flor

Maxsuel Lima

Quando esse bem cultural foi escrito, eu o olhei, senti mais que um prazer, uma honra, uma glória, vi se concretizar em palavras um adolescer poético que nasceu para fazer história.

Diego de Oliveira Gomes.

Karé o Osun!

Dizem Yorubás

Negros que vivem do Oxum

Cultuando seus Orixás.

 

É na África que começa

Uma historia encantada

De uma família africana

Que de lá se originava

Construindo a tradição

Dos deuses que cultuava.

 

Na época da escravidão

Muitos tinham a temer

Aos deuses pediam proteção

Na fé diziam: Karé o Osun!

O Deus sua prece ia atender

A eles ia dar a salvação.

 

Mas a mãe não conseguia entender,

Oxum, Ogum e Iemanjá

Os orixás estavam a proteger,

A família pedia a Oxalá

A paz que acabara de perder

Pois o pai estava em alto mar.

 

O forte guerreiro Yorubá

Negro, filho de Iemanjá

Escravizado tinha sido

Deixou mulher e filho

Aos cuidados dos Orixás,

Ao Brasil estava vindo!

 

Ao chegar ao nordeste

Muitos encontrou cá

Um coro, um choro

Ouvia-se de lá

Negros, guerreiros

Tristes, os Filhos de Oxalá.

 

Com força e esperança

O forte Yorubá batalhou

Queria rever sua criança

E a mulher que deixou

Mas guardava na lembrança

A prece que a mãe ensinou

– Karé o Osun!

 

Um oceano os distanciava

Família separada,

Aos Deuses clamavam

Um milagre, uma magia inesperada

Uma força de Oxun

– Karé o Osun!

 

Muito tempo se passou

Muita coisa aconteceu

A criança cresceu

Seu pai não voltou

Sua mãe faleceu

E dos deuses esqueceu.

 

Mas o jovem Yorubá

Determinado estava

Espírito de guerreiro herdava

E com determinação

Iria lutar pela liberação

Da África maltratada.

 

Em sua jornada

Não sabia o que no mundo existia

A fome, tristeza e solidão

Fora o que desfrutava

Um sabor amargo no coração

Ao Brasil o guiava.

 

Os deuses não gostaram

Pois o guerreiro não os cultuava

Perdera a esperança

Nos deuses que antes orava

Mas o amor de Iemanjá

Supria as necessidades do Yorubá.

 

A Deusa do Mar não negava

A paixão por seus filhos

Mas os outros deuses não gostavam,

Por ser a deusa mais adorada

Não desistiria do jovem

Que tanto lhe odiava.

 

O forte guerreiro

Protegido por Iemanjá

Chegara a um negreiro

Que o traria para cá

Ao Brasil estava vindo

Para seu pai resgatar.

 

O mar estava agitado,

E numa noite fria

Ao guerreiro aconteceria o encantado

A mãe do mar viria

Ao seu filho amado

Revelar o que o aguardaria.

 

O jovem Yorubá não entendia

Por que quem ele odiava

O ajudaria?

Então sem entender a escutou

Com voz doce a deusa falou:

– Serás vencedor Filho Meu!

 

Num balanço atordoante

No despertar dum sono sufocante

Acordava o guerreiro,

No convés do negreiro

O capitão estava a avisar:

– Chegamos ao Brasil, vamos atracar!

 

Acorrentados saíram todos

Ao encontro de vosso monarca

O rei arrogante os achava tolos,

Alguns o peso da lavoura os aguardava

A outros o peso militar

Mas a princesa o guerreiro estava a olhar.

 

Com certas intenções

O guerreiro ela pedia

Mas sabia ela que a paixão a invadia

Uns sentimentos sem explicação

Acometia a rica burguesinha

Mas o guerreiro só enxergava vingança.

 

Em seus aposentos o guerreiro a servia

E ela se amostrava

Para ver o que ele faria

Mas o jovem nada via

Pois seu pai procurava

No território da burguesia.

 

A princesa entristecida

Ao ver o guerreiro em profunda apatia

Descobriu o segredo

Sabia a que ele viria

Seu pai resgataria

Ou tentando morreria.

 

Mas a triste noticia chegara

O guerreiro soube no dia

Da morte inesperada

Do pai que perdera

Semana passada

O rei louco o matara.

 

O guerreiro não sabia o que fazer

Cego de raiva estava

A esperança acabara de perder

Mas das palavras da deusa lembrava

Não ia ali perecer

Sua vingança buscava.

 

Enganando a princesa

Que tanto lhe amava

Divisava nas estrelas

A morte que buscava

Seria o amor da princesa

E chegaria ao monarca.

 

Contra o pai e contra todos

A princesa casou com o crioulo

Era o amor de sua vida

Não conseguia ver o louco

Numa noite inesperada

Chegava a noticia, estava grávida!

 

Foi uma grande surpresa

O guerreiro não esperava

Um filho lhe daria a princesa

Um filho de negro e monarca

Mas não esqueceria

O que ali buscava.

 

Numa noite de lua cheia

A mansão se iluminava

Brilhava o rosto do negro

Frente ao quarto do monarca

Poria fim a vingança

Que tanto almejava.

 

Empunhando uma espada

No quarto entrava

Divisou na sacada

A imagem da deusa

Que o rei iluminava

Aproximou-se com ódio na cara.

 

Não ceifou sua vida

Pois a morte é inesperada

Com gritos atordoantes

A princesa o chamava

Iria dar a luz

A criança que esperava.

 

Sem jeito voltou ao quarto

Não sabia o que fazer

A parteira veio rápido

Seu filho ia nascer,

Esqueceu por hora da vingança

Que quase foi resolver.

 

O choro da criança inundou a mansão

O rei ninguém viu,

Mas nem se lembrou

De tamanha emoção

Nascia primeiro

De uma forte geração.

 

Logo depois veio a noticia

O rei morreu de morte desconhecida

Logo se lembrou da deusa querida

Sua vingança tinha sido cumprida,

Com a morte do monarca

A princesa o trono herdaria.

 

Casado com a rainha

O negro guerreiro virou rei

Sabia que sangue burguês não tinha

Mas subia ao poder,

E com grande emoção

Aboliu a escravidão!

 

Foi uma vida sofrida

Uma vingança passada

Amava a família

E salvou a África maltratada

Lembrou-se da deusa

E agradeceu como o pai o ensinara.

 

Olhando para o céu

Sentiu o calor de Iemanjá

– Karé o Osun!

– Nos protejam Orixás

– Sou negro, rei, Yorubá

– Filho de Iemanjá, guerreiro de Oxalá.

 

– Saúdem a Deusa do Mar!

Fim.

Realizações:

Literatura de Cordel

 Escola Estadual Senador Argemiro de Figueiredo.

Pibid – Programa Institucional de Bolsa Inicial a Docência.

UEPB – Universidade Estadual da Paraíba

 

 

 

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